E enquanto o tempo passa, eu me perco.
Dia 17 de janeiro, quatro da tarde, nuvens no céu e gotas de chuva na janela. Tudo normal, em perfeita ordem, nada além de pés quentes e chocolate.
Mortal que engana a morte, inútil e eterno. Compreendo o mundo além das palavras. Vivo sem promessas, ou, ilusões. Depois de algum tempo, não muito, resolvi escrever sobre isso. Me cansei dessa tarefa cansativa e inútil com mãos atadas. Perdida em pensamentos, talvez, óbvios e situações que eu já saiba o final. Complicado, como agora, está por dentro de mim. Sozinha. E, ao redor coberta de pessoas com “ótimas” intenções. E pra que tantas palavras bonitas e linguagem formal se no final não parece claro pra você e nem pra ninguém. Nem mesmo pra mim. Agora, com os pés no chão, vejo que pensar demais nos outros é ruim, deixar de pensar primeiro em mim é ruim.
Afinal, será que amar é mesmo tudo? Depois dos planos, juras de amor, promessas infinitas, nomes aos nossos futuros filhos, ciúmes, brigas, mais amor, amor de novo, e o fim …
Complicado será agora aguentar essa barra, viver aqui sozinha sem você pra me “botar” pra frente, sem ser o meu apoio diário, meu protetor. Todos já estão cansados de me ouvir, não tenho pra onde ir, não tenho aquele ombro amigo. Na verdade, acho que sinto sua falta. Ter que acordar e saber que não está comigo é fácil, o difícil é ir dormir sabendo que não pensa mais em mim, que não fala do meu sorriso que, querendo ou não, não precisa mais de mim. Os dias são longos, a tristeza parece não ter fim e o sentimento dormiu. Não estou cobrando nada, nem escrevo pra ti, nem quero que leia. É só um desabafo. Vontade de colocar pra fora essa confusão. Não preciso de ninguém que venha dar seus “pêsames” ou dizer que sente muito. Não preciso de nada , talvez somente do tempo, só o tempo pra me fazer melhor. Continuo a mesma, a mesma garota meiga, que gosta de rosa e músicas românticas tocadas em voz e violão. Pode não parecer. Cheio de pontos e vírgulas, já nem sei mais o real motivo de estar aqui, nessa angústia de que algo aconteça. Pensamentos? Não tenho, não sinto, não vejo. Vegetal. Feliz por estar aqui, pela vontade de Deus é claro. A cada dia me sinto melhor, livre, mas com contas à pagar, coisas para acertar e obrigações para serem cumpridas. Memórias? Todos temos, claro, todos nós vivemos coisas ótimas, vivemos com pessoas boas que, por mais distantes que estejam nos amaram um dia. Amor? Quase todos um dia teve a sorte de ter encontrado , alguém pra vida inteira. Ainda estou à procura de um … ou, só esperando o momento certo. Dor? Serve para nos fazer mais fortes, ter mais vontade de viver, de quebrar a cara e, de querer buscar a felicidade só pra ver se realmente dará certo. Esperança? Carrego comigo sempre um pouquinho dentro do bolso, sempre preciso, afinal, decepções estão ai para nos fazer crescer. Ainda não parei de sonhar e me apaixonar, ainda procuro a fórmula secreta de uma vida perfeita e sem erros, se é que ela existe… Estou aqui para dizer que, apesar de apresentar tanta frieza e desgaste, sinto-me na obrigação de querer mais, viver mais e, um dia, poder dizer que valeu muito a pena!



